O primeiro som


Nascer dói todos os dias

Crescer dói


O primeiro choro

As primeiras palavras

O aprendizado


Nascer também não dói


Onde há lágrimas também há sorrisos

Onde existem monossílabas existirão frases com melodias



Rosalina Herai






quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O poder das palavras


Na cidade abandonada um julgamento aconteceu
Suja, cheia de teias, com calçadas vazias
Num tribunal lá estava a culpada...uma caneta
Cuja tinta manchava o papel que estremecia

Caneta  o que tens a dizer em sua defesa
Sou inocente assim dizia, é a mão a culpada
Convidaram então a mão para dar sua palavra
Sou membro de um corpo, sem a alma não sou nada

Sentou a alma olhando os interlocutores que já a condenavam
A punição assim começava
És culpada de tantas coisas...amaldiçoastes uma cidade
Cada sete dias uma missa irá rezar, serão de sete dias pra cidade despertar

Na caneta que escreves tinta de sangue colocastes
Manchas nos papéis que caíram eram balas de verdade
A cada sete dias um habitante as recebeu
Matastes culpados e inocentes com sua influência e poder

Seu desejo de matar era tanto, não mataste apenas na escrita, mas de forma literal
Tirastes qualquer possibilidade de diálogo...arma te  tornastes
No arco flechas, palavras envenenadas, que em raio dizimou
Seu exército era poderoso, de boca em boca, um ponto aumentou

Na cidade nada existe apenas a lembrança
Um dia a felicidade ali morou
Uma cidade feita de paz e alegria
Você dizimou

Com o céu sem estrelas os corações ficaram sem sonhos
Não houve tempo das lágrimas lutarem pelos brotos no chão

Cada sete dias vá pedir para Deus nosso Senhor
Dar recheio e conteúdo nas palavras de paz dos escritores
Palavras fermentam os pães de todos os dias


Rosalina G. R. Herai

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